quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

UM AMOR DE NATAL

 


 

Recebi de minha Editora um adorável conto de Natal. Sinto muito se alguém preferiria ter apenas a indicação para ler, sorry, vou contá-lo!  O título é lindo: “O Presente dos Magos” de O. Henry.

James e Della são um casal simples e feliz. Moram num apartamento modesto e já é véspera de Natal. Eles não têm dinheiro para comprar presentes um para o outro. Della acaba vendendo seus longos e maravilhosos cabelos para comprar uma corrente super fina que servirá para o relógio de James. Encantada com o presente que comprara para o marido, Della volta para casa e começa a preparar as costeletas para o a ceia de Natal. James finalmente chega e se depara com o novo visual de sua mulher. Ele olha para ela de forma interrogativa. Della explica ao marido que não podia deixar de lhe dar um presente e seus cabelos cresceriam novamente. Ela lhe entrega o presente e ele lhe dá o seu: diversos acessórios caros de cabelos que de nada servem agora, já que Della cortou suas maravilhosas madeixas. E James confessa à Della que vendeu o relógio para comprar “os prendedores”. Nenhum deles pôde usar os presentes, porém isso serviu para provar até onde iriam para agradar um ao outro e o quanto seu amor era inestimável. 

Bem, por que conto isso? Porque hoje é aniversário de meu marido e combinamos não comprar presentes este ano, nem de aniversário, nem de Natal. Mas exatamente hoje eu capitulei e desejei ter comprado algo bem legal. Fiquei amuada e reclamei: ah meu amor, que presente vou dar a você? E ele me respondeu: sabe qual é meu presente? Ao que respondi perguntando: qual? E ele: você! Você é meu maior presente! Depois deste aparte tão fofo, eu me senti a mais presenteada das mulheres. Mas tirei da bolsa dois vidrinhos de óleos essenciais, o peppermint que adoro e um clove (cravo) para ele. Não eram propriamente presentes de Natal, embora o preço seja de presente pra lá de caro. Ele me disse: então eu vou comprar um difusor e vou dar de presente para você.

Veja bem, a história não é a mesma de James e Della, mas me fez lembrar o amor deles, um inestimável e terno amor. Eu não poderia esperar nada mais precioso neste Natal.  

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

A HORA

 


 

            “De hora em hora Deus melhora”, minha mãe costumava dizer. E por aqui, quando queremos animar uns aos outros também dizemos esta frase. Hoje, nos intervalos de descanso eu fiz algumas reflexões sobre a hora. Sou invocada com a questão de que vivemos uma vida de poucas décadas. No máximo dez não é? Então, falando assim, confesso que sinto certo desconforto por constatar que obviamente já vivi bem mais décadas do que viverei, aliás, faltam bem poucas. Evidentemente que nada disso me passava pela cabeça quando era mais nova, porém basta viver muitos anos para refletir sobre a brevidade da vida.

            Fiquei pensando que se contássemos nossa vida apenas em horas, teríamos a doce ilusão de mais tempo, e no mínimo o desconforto iria passar. Um ano é composto por oito mil, setecentos e sessenta horas, se não me engano. Ganharíamos milhares de horas, rsss. E teríamos uma vida grande, o que é bem diferente de uma grande vida. O fato é que mesmo quem tem teve uma vida grande ou uma grande vida vai morrer, pensa na morte do mesmo jeito, com medo, com expectativa, com curiosidade, com esperança. Mas pensa. E está certo, há que se pensar sim, se possível sem morbidez, apenas com coragem, mas eu não são corajosa.

Tem hora pra tudo, para trabalhar, para se divertir, para descansar, para chorar, sonhar. Tem a hora da chegada e a hora de ir embora. Tem a hora do caçador e a hora da caça, tem a hora que não passa, a hora da largada, a hora da virada, a hora do espanto e a bendita hora do encanto. Tem a terceira hora do Ângelus, que linda hora em que a tarde fica escura e se torna noite sem que a gente perceba, assim como um filho que dá os primeiros passos e logo já anda desenvolto num piscar de olhos da mãe. Será que no Céu tem o Ângelus, será que lá a tarde se torna noite?

Bom, tem a última hora, quando minha mãe dizia: em minha última hora, se nada tiver para apresentar a Deus, apresentarei as sacolas pesadas que trago do mercado para alimentar a família. Tem a hora que a gente perde: ah perdi a hora. Tem a hora que a gente usa para ser prestativo: Misa, você faz isso pra mim? Na hora. Quando a mãe chama atenção do filho: isso são horas?

Tem hora pra tudo, pra todos os gostos, para todas as horas.

APELO

 


 

Este medo inútil

Esta vida fútil

Este anseio tão vão

Acorram anjos

A salvar meu coração

 

Trazei-me esperança

Nesta minha andança

Pela vida afora

Trazei-me sem demora

A paz perdida

Banida do coração

 

Levai embora o medo e o tormento,

Que se desfaçam com o vento

De minha alma arrancai a traça

Trazei-me de Deus a eterna graça

E as alegres cantigas de Sião

E que eu as cante

Em profunda efusão.